Clube de Agricultores
“Os pequenos agricultores são mais do que produtores de alimentos: são a espinha dorsal dos sistemas alimentares rurais e actores essenciais na preservação da nossa biodiversidade.”
Os pequenos agricultores estão no centro dos sistemas alimentares resilientes e sustentáveis. Eles desempenham um papel crucial na gestão dos recursos naturais e no apoio às suas comunidades na adaptação às crescentes ameaças provocadas pelas alterações climáticas.
Em Moçambique, a agricultura familiar constitui a base da economia, com cerca de 80% da população a depender da agricultura como principal fonte de sustento. Contudo, o sector enfrenta enormes desafios: baixa produtividade, acesso limitado a recursos e uma vulnerabilidade crescente aos choques climáticos.
Combinados com a instabilidade económica global, estes factores estão a exercer uma pressão significativa sobre sistemas alimentares já frágeis, ameaçando os meios de subsistência de milhões de pessoas.
Agora mais do que nunca, há uma necessidade urgente de uma mudança transformadora rumo a uma agricultura sustentável e resiliente ao clima – ancorada em sistemas alimentares localizados e liderada pelas próprias comunidades que os pequenos agricultores servem. Esta transformação exige abordagens holísticas e intersectoriais que reconheçam os pequenos agricultores não como beneficiários, mas como agentes centrais da mudança.
Na ADPP, estamos a responder a este apelo através do nosso modelo dos Clubes de Agricultores – um programa inovador adaptado às necessidades e realidades de cada área de implementação – utilizando abordagens que capacitam os pequenos agricultores:
O Modelo do Clube de Agricultores
O modelo do Clube de Agricultores baseia-se numa abordagem orientada pela comunidade, onde os pequenos agricultores se organizam em grupos auto-suficientes para melhorar a produtividade agrícola, aumentar a resiliência e reforçar os meios de subsistência. Através de formações práticas, ministradas por Instrutores de Campo, os agricultores aprendem técnicas sustentáveis e inteligentes face ao clima, gerem campos de demonstração e adoptam boas práticas nos sectores da agricultura, silvicultura e pesca.
O modelo promove a colaboração, o intercâmbio de conhecimentos e o apoio mútuo, capacitando os agricultores para enfrentarem colectivamente os desafios e aproveitarem as oportunidades.
Devido aos numerosos benefícios da organização, a maioria dos agricultores decide formalizar os clubes em associações e/ou cooperativas.
Estes clubes, associações ou cooperativas também se envolvem em actividades complementares, como as Associações de Poupança e Empréstimo nas Aldeias, aquisição colectiva de insumos, ligação a mercados, diversificação da produção, melhoria da capacidade de armazenamento, valorização dos produtos, criação de bancos de sementes, expansão dos mercados locais, entre outros. Tudo isto resulta num aumento significativo da segurança alimentar e dos rendimentos. Com uma abordagem integrada à agricultura, nutrição e sustentabilidade ambiental, o modelo dos Clubes de Agricultores não só melhora as colheitas, como também fortalece a coesão e resiliência comunitárias, lançando as bases para um desenvolvimento rural duradouro e liderado localmente.
Números
18,300
membros de clubes de agricultores, pescadores, modos de vida e outros membros da comunidade.
300
clubes, associações, cooperativas e outros grupos estabelecidos